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Espaços Pedagógicos

Em 2003, para ser mais exata, na primeira semana do mês de novembro, a Secretaria Municipal de Educação ofereceu aos professores de Educação Infantil um curso sobre esta temática, ministrado por Regina [me perdoe não ter anotado o sobrenome...], uma das educadoras da creche Carochinha, da USP/Ribeirão Preto.

No curso, refletimos sobre os conceitos de ambiente e suas dimensões (física, funcional, temporal e relacional) e de espaço e suas funções (desenvolver competências e promover a identidade pessoal, oportunidades de crescimento, contato social e privacidade e sensações de segurança e confiança).

Regina enfatizou que a organização do espaço físico da criança e do tempo é uma decisão pedagógica e precisa ser pensada como tal. No seu ponto de vista, deve permitir à criança encontrar o equilíbrio entre seus desejos e as regras sociais, ou seja, desenvolver sua autonomia. Para tanto, apresentou o conceito de zonas circunscritas (arranjos aberto, fechado e semi-aberto) e demonstrou como ele é aplicado no cotidiano da Carochinha [estas e outras questões relacionadas você encontra bem esclarecidas no livro de ROSSETTI-FERREIRA, M. C. – referência completa na seção Biblioteca, ao lado].

Desde então, comecei a refletir sobre as intencionalidades no uso do espaço na Educação Física e de que forma poderia usar os elementos apresentados pela educadora para superar inúmeros obstáculos do cotidiano escolar que me impediam de alcançar os objetivos que almejava.

Em primeiro lugar, as limitações impostas pelas áreas disponíveis para as aulas: uma área descoberta com piso de terra batida, areia, vegetação rasteira e árvores, equipada com balanços, gangorras, escorregadores, túneis de manilha, carrossel e uma casinha de alvenaria, chamada de Parquinho e uma área de circulação constante, com uma parte coberta e envolvida por colunas de sustentação, com piso liso, e outra descoberta, com piso de cimento áspero e inclinação que resulta num desnível progressivo em relação à coberta, chamada de Pátio. E a ocorrência simultânea de aulas de educação física para duas turmas diferentes determinava o uso alternado dos espaços.

Em segundo lugar, os imprevistos e as intempéries, que exigiam mudanças de planos em frações de segundo e demandavam frações de hora para recuperar o foco da aula.

Em terceiro, a prática comum até então de manter as crianças muito tempo sentadas, seja ouvindo a professora ou aguardando sua vez de executar uma tarefa.

Em quarto, a avaliação, eminentemente subjetiva, baseada unicamente no julgamento pessoal do professor quanto às habilidades dos alunos e destes quanto à sua satisfação ao realizar as atividades.

Por fim, a falta de ludicidade nas rotinas tanto da escola quanto da educação física.

Estas foram as inquietações que me levaram a construir a proposta que apresento no Degodim.

Como podem ver, o uso do PDA (computador de mão), em momento algum, foi o propulsor das idéias. Mas foi uma ferramenta valiosa para registrar todos os acontecimentos e permitir a reflexão acerca dos resultados alcançados pelas ações empreendidas e o replanejamento.

O uso dos PDA já é rotineiro em outros países, como informa Walter Neves, no Yahoo, ao discorrer sobre a presença da tecnologia na sala de aula.

4 comentários:

Leopoldo Rangel disse...

Seu trabalho é muito bacana. Mas é um pouco fora do alcance financeiro da maioria dos professores. Queria saber se os equipamentos que usa são seus ou da escola onde leciona.
Um abraço.

Cláudia disse...

Realmente, Leopoldo. Os professores deveriam ter um subsídio para tal.
Os equipamentos que uso são meus, sim. Não houve interesse por parte da prefeitura e de outros órgãos aos quais recorri para financiar o projeto. Tive a impressão de que acharam por demais "utópico". Para mim não é e resolvi abrir mão de algumas coisas pessoais para adquirir o que possuo hoje. Que, infelizmente, já está um pouco defasado. Mas ainda não estou preparada para novos investimentos.
Isso para não falar no tempo de dedicação extra-classe, que extrapola a carga horária remunerada pela prefeitura.
Gostaria imensamente que o meu trabalho estimulasse agências financiadoras a investir em projetos que oportunizem estas novas tecnologias aos professores. Infelizmente, quando se fala em tecnologia na educação, só se pensa nos alunos, no computador como ferramenta de aprendizagem. Esquecem que as TIC podem ser poderosas ferramentas para melhorar a qualidade de ensino. Tento mostrar isso aqui neste blog.

Angela Costa disse...

Estou pesquisando sobre o uso de tecnologias na Educação Infantil. Gostaria de sua participação. Se for de seu interesse (espero que seja) diga as que já conhece, utiliza, vantagens e desvantagens que considera. Grata, Ângela.

Angela Costa disse...

Concorda com o uso das novas tecnologias na Educação Infantil?

Biblioteca

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